Economia
Pequenos negócios abertos por ano
MEI, microempresas e empresas de pequeno porte, em milhões, de 2020 a 2025
Como ler o gráfico
Cada barra mostra quantos milhões de pequenos negócios (microempreendedores individuais, os MEI, microempresas e empresas de pequeno porte) foram abertos no ano, de 2020 a 2025, segundo levantamento do Sebrae com dados do cadastro da Receita Federal. O eixo horizontal traz os anos e o vertical, a quantidade em milhões. A série conta apenas aberturas e não desconta as empresas fechadas no mesmo período, de modo que mede o fluxo de entrada de negócios; o número de empresas ativas cresce menos, porque parte delas fecha a cada ano. O total de empresas abertas no país é um pouco maior, porque inclui médias e grandes: em 2025, foram 5,1 milhões no total, dos quais 3,8 milhões eram MEI. Os valores vêm dos relatórios detalhados do Sebrae; a lista do balanço de janeiro de 2026 corta os números na primeira casa decimal, e por isso mostra 3,7 milhões para 2023 e 4,1 milhões para 2024. O Sebrae atualiza a base a cada divulgação, e anos antigos podem subir alguns milhares com registros tardios.
Contexto
O indicador conta quantos pequenos negócios ganharam um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) na Receita Federal em cada ano, em levantamento do Sebrae. Entram três categorias: o microempreendedor individual (MEI), com faturamento de até R$ 81 mil por ano; a microempresa (ME), até R$ 360 mil; e a empresa de pequeno porte (EPP), de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões. O MEI domina a conta: em 2025, foram 3,81 milhões de MEIs, 933 mil microempresas e 209 mil empresas de pequeno porte, somando 4,95 milhões dos 5,1 milhões de empresas abertas no país.
A série saiu de 3,28 milhões em 2020 para 3,94 milhões em 2021, recorde da época, em que o MEI respondeu por 80% das aberturas. O Sebrae atribuiu o salto à pandemia, que empurrou muita gente ao empreendedorismo por necessidade e outras pessoas a buscar oportunidades, e à redução da burocracia, com a Lei de Liberdade Econômica, de 2019, e a integração das juntas comerciais. Depois de 3,74 milhões em 2022 e 3,78 milhões em 2023, as aberturas chegaram a 4,16 milhões em 2024 e a 4,95 milhões em 2025, alta puxada pelo MEI, que cresceu 22% em um ano. O Sebrae credita o recorde de 2025 ao acesso a crédito, com cerca de R$ 12 bilhões garantidos pelo Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), e ao que o presidente da entidade chamou de "pleno emprego" com inflação sob controle.
Há leituras diferentes sobre o que esses números significam. Em 2022, os economistas Luiz Rabi, da Serasa Experian, e Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, associaram o recorde à fraqueza do emprego formal. Um estudo publicado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que 53% dos MEIs trabalham, na prática, como prestadores de serviço de uma só empresa, fenômeno chamado de pejotização, e a Receita Federal calculou em R$ 26,3 bilhões a perda de arrecadação em 2025 caso a troca de carteira assinada por MEI se generalize, tema discutido no Supremo Tribunal Federal (STF) como Tema 1.389 de repercussão geral. Para quem trabalha, o MEI dá acesso a CNPJ, nota fiscal e contribuição previdenciária reduzida; para quem contrata, muda o custo e os direitos envolvidos. A conta também não desconta fechamentos: só no segundo quadrimestre de 2025, o governo registrou 1,67 milhão de aberturas e 942 mil encerramentos.