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Economia

Crédito bancário a empresas e a famílias

Saldo do crédito dos bancos a empresas e a famílias, em % do PIB, de 2010 a agosto de 2026

Como ler o gráfico

As duas linhas mostram o saldo do crédito bancário como percentual do PIB, uma para empresas e outra para famílias, com o valor de dezembro de cada ano entre 2010 e 2025. O ponto de 2026 é agosto, último dado disponível, e por isso é parcial. O denominador é o PIB acumulado em doze meses a preços correntes; quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisa o PIB, o Banco Central recalcula a razão, e por isso números publicados no passado podem diferir dos atuais. A linha das famílias é o crédito total menos o crédito às empresas. Nenhuma das linhas inclui debêntures, notas comerciais ou dívida no exterior, que hoje financiam boa parte das grandes empresas.

Contexto

O indicador compara o saldo de empréstimos e financiamentos concedidos pelas instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN) com o tamanho da economia, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) somado dos últimos doze meses. A linha das empresas usa a série oficial de crédito a pessoas jurídicas; a das famílias é a diferença entre o crédito total e o das empresas, o que equivale ao crédito a pessoas físicas. O retrato inclui apenas a carteira dos bancos e demais instituições financeiras e deixa de fora debêntures, notas comerciais e dívida contraída no exterior.

Até 2015, os dois tipos de crédito cresceram juntos, e o das empresas chegou a 28,5% do PIB em dezembro daquele ano. A partir de 2016, o crédito bancário às empresas encolheu: segundo o Banco Central, as concessões do crédito direcionado, em grande parte ligado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), caíram cerca de 40% entre 2015 e 2017, e parte das empresas trocou o banco por debêntures, notas comerciais e captação externa. Em 2020, segundo o Banco Central, os programas de crédito da pandemia fizeram o crédito às empresas crescer 21,8% no ano, e a razão subiu para 23,4% do PIB; depois disso, voltou para perto de 21%. O crédito às famílias seguiu outra trajetória e subiu quase sem interrupção, de 20,0% do PIB em 2010 para 35,0% em agosto de 2026.

O Banco Central avaliou, em 2018, que o mercado de capitais ajudou as empresas a reduzir o custo da dívida, e registrou que o acesso a esse mercado se limita a um número pequeno de companhias, em geral grandes. Contando títulos e dívida externa, o crédito ampliado às empresas somava 54,6% do PIB em agosto de 2026, bem acima dos 20,4% que aparecem no gráfico. Para as famílias, mais crédito permite comprar imóvel, carro e bens duráveis, e também eleva o peso das parcelas no orçamento: em agosto de 2026, a inadimplência das pessoas físicas era de 6,0%, contra 3,3% das empresas, e o juro médio do crédito livre para famílias chegou a 61,7% ao ano.

Fonte: Banco Central, SGS 20623 e 20622