Segurança pública
Vagas ocupadas nas polícias estaduais
Parte do efetivo previsto em lei que está ocupada, 2025
Como ler o gráfico
Cada barra mostra a parte do efetivo previsto em lei que está ocupada por policiais ativos, somando todos os estados e o Distrito Federal; 100% significaria quadro completo. Os totais vêm do Raio-X 2026, com dados de março de 2025, e seguem os números informados pelos estados: o efetivo ativo da Polícia Militar de São Paulo inclui os bombeiros militares, e o da Polícia Militar do Rio de Janeiro é de março de 2022. O efetivo previsto é um limite legal de vagas; a ocupação baixa mostra a distância em relação à lei, sem medir quantos policiais cada estado de fato precisa. O total nacional esconde diferenças grandes: na Polícia Militar, o Ceará passa de 100%, e há estados abaixo de 40%.
Contexto
Cada estado fixa em lei quantas vagas suas polícias podem ter, o chamado efetivo previsto ou fixado. Segundo o Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as polícias militares tinham 413.319 integrantes ativos para 628.732 vagas previstas (65,7%), e as polícias civis, 96.902 para 175.477 (55,2%), com dados de março de 2025. A diferença soma cerca de 215 mil policiais militares e 79 mil policiais civis. Em relação à edição anterior, com dados de 2023, o efetivo ativo cresceu 2,1% nas polícias militares (de 404.871 para 413.319) e 1,0% nas civis (de 95.908 para 96.902).
A situação varia muito entre estados. Na Polícia Militar, o Ceará tem mais policiais que o previsto (100,4%), e Tocantins ocupa 34,9% das vagas e Goiás, 37,4%; na Polícia Civil, o Amapá chega a 98,4%, e Rondônia (28,1%), Rio de Janeiro (34,2%) e Paraíba (34,4%) ficam na base. Como as polícias militares e civis são subordinadas aos governadores (Constituição, art. 144), a lei que fixa o quadro, a abertura de concursos e a folha de pagamento são, em regra, decisões e despesas estaduais. O próprio Raio-X lembra que não existe proporção ótima de policiais por habitante e defende calcular a necessidade de cada força pela carga de trabalho, o que faz do efetivo previsto em lei uma referência legal, sem garantia de que corresponda à necessidade atual.
O dado importa porque vagas não preenchidas afetam o policiamento nas ruas e a capacidade de investigar, tarefa da Polícia Civil, que tem a menor ocupação. O estudo também aponta distorções na carreira, como mais sargentos (129.402) do que soldados (117.142) nas polícias militares. Para quem acompanha propostas de campanha, o número ajuda a dimensionar promessas de contratação, que dependem de concurso, formação e orçamento de cada estado.