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Economia

Desemprego médio por ano

Taxa média anual de desocupação, de 1995 a 2025

Como ler o gráfico

A linha mostra a taxa média anual de desemprego (desocupação) no Brasil, em porcentagem da força de trabalho, de 1995 a 2025. De 2012 em diante, os valores são as taxas anuais oficiais do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O IBGE calcula o número anual com a primeira entrevista de cada domicílio (de 2020 a 2022, com a quinta, por causa da pandemia), e por isso ele pode diferir da média simples dos quatro trimestres: em 2021, a taxa anual é 14,0%, e a média dos trimestres, 13,2%. Em julho de 2025, o IBGE refez a série inteira com a população do Censo 2022, e alguns anos mudaram um décimo em relação ao que foi divulgado na época (2023, por exemplo, saiu como 7,8% e hoje é 7,7%). O trecho de 1995 a 2011 é uma reconstrução estatística feita pelos pesquisadores Rafael Bacciotti e Emerson Marçal (2020) para tornar os anos antigos comparáveis à pesquisa atual; trate esses pontos como estimativas, com margem de erro maior. Por isso, compare tendências e evite tirar conclusões de diferenças de poucos décimos entre os dois trechos. O ano de 2026 ainda não entra: o dado mais recente, do trimestre de junho a agosto de 2026, foi de 5,3%, e taxas trimestrais têm efeito sazonal, com valores mais altos no começo do ano.

Contexto

A taxa de desocupação mede a parcela da força de trabalho que está sem emprego e procurou vaga no período de referência da pesquisa; a força de trabalho reúne as pessoas de 14 anos ou mais que trabalham ou procuram trabalho. Quem não procurou vaga, como estudantes, aposentados e desalentados, fica fora da conta. Desde 2012, a fonte é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, e a média anual oficial é calculada com a base anual da pesquisa, formada pelas primeiras entrevistas de cada domicílio (de 2020 a 2022, pelas quintas entrevistas, por causa da pandemia). Para 1995 a 2011, o portal usa a série reconstruída por Rafael Bacciotti (Instituição Fiscal Independente do Senado) e Emerson Marçal (FGV), publicada em 2020 na revista Estudos Econômicos, que combina a PNAD anual e a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com um modelo estatístico.

Na segunda metade dos anos 1990, o desemprego subiu de cerca de 7% para 10%; estudo de Marcelo Neri, José Márcio Camargo e Maurício Reis (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, 2000) associa o movimento à abertura comercial, ao câmbio usado como âncora depois do Plano Real, que pesou sobre a indústria, e às crises externas de 1998. A taxa ficou perto de 10% até 2005 e caiu quase sem interrupção até 7,0% em 2014, com uma alta passageira em 2009, ano da crise financeira internacional. A recessão de 2015 e 2016 levou a média a 12,6% em 2017, e a pandemia elevou o desemprego ao maior nível da série, 14,0% na média de 2021. Desde 2022 a taxa cai todo ano, e 2025 fechou em 5,6%, a menor média anual da PNAD Contínua, com 20 unidades da federação também em mínima histórica.

O desemprego afeta diretamente a renda das famílias, o poder de negociação dos trabalhadores nos reajustes e a arrecadação da Previdência. No trimestre de junho a agosto de 2026, a taxa foi de 5,3%, com recorde de 103,5 milhões de pessoas ocupadas. A queda recente veio acompanhada de mudanças na forma de trabalhar: segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a fatia de microempreendedores individuais entre os trabalhadores por conta própria passou de 19,1% em 2015 para 27,4% no fim de 2025. Por isso a taxa de desocupação deve ser lida junto com informalidade e subutilização, que mostram a qualidade das vagas.

Fonte: IBGE, PNAD Contínua; Bacciotti e Marçal (Estudos Econômicos, 2020)