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Economia

Dívida e juros por governo

Variação da dívida bruta e da dívida líquida, em pontos percentuais do PIB, e juros médios por ano, em % do PIB, de 2003 a agosto de 2026

Como ler a tabela

Cada linha é um governo. As colunas de dívida mostram quanto ela variou entre o início e o fim do período, em pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB): número positivo indica alta, e negativo, queda. A coluna de juros é a média dos juros nominais de cada ano do governo, em % do PIB. Os saldos são os de dezembro: o período de Dilma vai de dezembro de 2010 a dezembro de 2015, e o de Temer, de dezembro de 2015 a dezembro de 2018, com 2016 inteiro na conta de Temer, a mesma convenção do indicador de quadro de servidores. Lula 3 é parcial: a dívida vai até agosto de 2026, e os juros são a média de 2023 a 2025, os anos completos. A dívida bruta na metodologia atual começa em dezembro de 2006; por isso Lula 1 não tem esse número, e FHC fica fora da tabela, porque a série de dívida líquida começa em dezembro de 2001. A variação da dívida depende também de fatores fora do controle direto do governo, como o câmbio, a inflação e choques como a pandemia; a tabela registra o que aconteceu em cada período e não atribui causa.

Contexto

A tabela resume, governo a governo, os dois indicadores anteriores: quanto a dívida pública mudou em relação ao PIB e quanto o setor público pagou de juros, em média, a cada ano. Todos os números saem das estatísticas fiscais do Banco Central, com a mesma série e o mesmo critério para todos os governos.

Os períodos tiveram condições muito diferentes. Nos governos Lula 1 e 2, a dívida líquida caiu com resultados primários positivos, crescimento do PIB e acúmulo de reservas internacionais, que valorizaram com a alta do dólar em 2008. No governo Dilma, a dívida bruta subiu, sobretudo em 2014 e 2015, com déficits primários, recessão e alta da Selic. No período Temer, a dívida seguiu em alta com a recessão e os déficits, que o teto de gastos de 2016 buscou conter. No governo Bolsonaro, a dívida bruta chegou a 87,7% do PIB em outubro de 2020, com os gastos da pandemia, e a dívida bruta terminou abaixo do ponto de partida, com a inflação elevando o PIB nominal e a volta do superávit primário em 2022. No governo Lula 3, a dívida voltou a subir, com a Selic em patamar elevado e déficits primários, e os juros passaram de 8% do PIB em 2024.

Quem atribui a alta recente sobretudo ao gasto público argumenta que déficits primários e a expansão de despesas obrigatórias pressionam os juros e a própria dívida. Quem atribui a alta sobretudo aos juros argumenta que o custo financeiro, ligado à política monetária, responde pela maior parte do aumento e que o resultado primário teve peso menor. Para quem estuda para concurso, a situação da dívida orienta as regras fiscais, como o arcabouço de 2023, que travam reajustes e concursos quando a meta de resultado primário não é cumprida.

Fonte: Banco Central, SGS 13762, 4513 e 5760