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Economia

Dívida pública em relação ao PIB

Dívida bruta do governo geral e dívida líquida do setor público, em % do PIB, em dezembro de cada ano, de 2002 a agosto de 2026

Como ler o gráfico

As duas linhas mostram a dívida pública em percentual do Produto Interno Bruto (PIB), com o saldo de dezembro de cada ano. A dívida bruta do governo geral começa em 2006, primeiro dado da metodologia adotada pelo Banco Central em 2008; antes disso, só a dívida líquida aparece, porque a série antiga da dívida bruta usa outro critério e não se emenda à atual. A dívida líquida desconta o que o setor público tem a receber, como as reservas internacionais, e por isso também se move com o câmbio: quando o real se valoriza, as reservas valem menos em reais e a dívida líquida sobe. O ponto de 2026 é agosto, último dado disponível, e por isso é parcial. O denominador é o PIB de 12 meses em valores correntes, e a inflação, ao aumentar o PIB nominal, reduz a relação mesmo sem mudança no saldo. As faixas de governo localizam os anos e não atribuem causa.

Contexto

O indicador acompanha o tamanho da dívida pública em relação ao tamanho da economia, a medida mais usada para comparar a situação fiscal de um país ao longo do tempo e com outros países. A dívida bruta do governo geral reúne o que devem o governo federal, o INSS, os estados e os municípios; a dívida líquida inclui também o Banco Central e as estatais e desconta os ativos do setor público. Os dois números vêm das estatísticas fiscais do Banco Central, divulgadas todo mês.

Quatro fatores explicam quase toda a variação da relação: os juros incorporados à dívida, o resultado primário (receitas menos despesas, sem contar juros), o câmbio e o crescimento do PIB nominal. Pela série, a dívida bruta teve o menor nível em dezembro de 2011 (51,3% do PIB), subiu na recessão de 2015 e 2016, chegou a 87,7% em outubro de 2020, com os gastos da pandemia e a queda do PIB, recuou para 71,7% em 2022 com a alta do PIB nominal, puxada pela inflação, e com superávit primário, e voltou a subir desde então, até 82,9% em agosto de 2026. Segundo a decomposição do Banco Central, de janeiro a agosto de 2026 os juros acrescentaram 6,5 pontos à dívida bruta, e o efeito do PIB nominal tirou 3,6.

Há duas leituras principais sobre o que fazer com a dívida. Quem prioriza o ajuste das contas argumenta que a trajetória depende de resultados primários maiores, com contenção de despesas obrigatórias, para reduzir o risco percebido e, com ele, os juros. Quem prioriza o custo financeiro argumenta que o peso dos juros, ligado ao nível da taxa Selic, responde pela maior parte da alta recente e que cortes de gastos reduzem o crescimento, que também ajuda a baixar a relação. Para o cidadão, uma dívida maior significa mais recursos do Orçamento destinados a juros e menos espaço para outras despesas.

Fonte: Banco Central, SGS 13762 e 4513