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Economia

O dólar no fim de cada ano

Cotação oficial (PTAX) no último dia útil de cada ano, em reais, de 2006 a 2025

Como ler o gráfico

Cada ponto da linha é a cotação oficial de venda do dólar calculada pelo Banco Central (PTAX), em reais, no último dia útil de cada ano, de 2006 a 2025. O eixo horizontal mostra os anos e o eixo vertical, quantos reais eram necessários para comprar um dólar. Os valores são nominais, sem correção pela inflação, de modo que R$ 2 em 2006 e R$ 2 em 2025 representam poderes de compra diferentes. A foto de um único dia pode destoar da média do ano: em 2020, por exemplo, o dólar passou de R$ 5,90 em maio e terminou dezembro perto de R$ 5,20. O fechamento divulgado pela imprensa costuma ser o do mercado à vista e pode diferir em alguns centavos da PTAX.

Contexto

O gráfico mostra quantos reais custava um dólar americano no último dia útil de cada ano, pela PTAX, a taxa de câmbio de referência calculada pelo Banco Central. Desde julho de 2011, a PTAX sai de quatro consultas diárias feitas às instituições que negociam moeda estrangeira com o Banco Central, em quatro janelas fixas de dez minutos, a partir das 10h, 11h, 12h e 13h, com o minuto exato de cada consulta sorteado dentro da janela. Em cada consulta, o Banco Central descarta as duas cotações mais altas e as duas mais baixas e tira a média das demais; a PTAX do dia é a média das quatro consultas. O valor usado aqui é a cotação de venda, a que paga quem compra dólar.

Os saltos da série coincidem com crises identificáveis. Em 2008, a crise financeira global levou o dólar de R$ 1,77 para R$ 2,34. Em 2015, a moeda americana subiu cerca de 47% e fechou em R$ 3,90, em um ano de recessão, crise política e dúvidas do mercado sobre as contas públicas, segundo a imprensa especializada. Em 2020, o dólar fechou em R$ 5,20, em um ano de pandemia, Selic na mínima histórica de 2% ao ano e preocupações fiscais, segundo a imprensa especializada. Em 2024, a alta de cerca de 28% até R$ 6,19 foi atribuída pela imprensa especializada à mudança das metas fiscais em abril, à recepção negativa do pacote de corte de gastos de novembro e à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos; em dezembro, o Banco Central vendeu cerca de US$ 32,6 bilhões das reservas para conter a alta. Em 2025, o dólar caiu cerca de 11%, para R$ 5,50, movimento que a imprensa especializada associou sobretudo ao enfraquecimento global da moeda americana, com cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e incertezas da política comercial americana.

O câmbio chega ao bolso por vários caminhos. Produtos importados e itens com preço atrelado ao mercado internacional, como combustíveis, trigo, eletrônicos e insumos agrícolas, ficam mais caros quando o dólar sobe, e isso pressiona a inflação. Viagens ao exterior e compras em sites estrangeiros acompanham a cotação. Empresas com dívida em dólar sentem o peso no balanço, enquanto exportadores recebem mais reais por cada venda. No fim de setembro de 2026, a PTAX estava em R$ 5,18, abaixo do fechamento de 2025.

Fonte: Banco Central, PTAX