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Segurança pública

Mais polícia, menos mortes?

Cada ponto é uma unidade da federação: policiais por 100 mil habitantes (horizontal) e mortes violentas por 100 mil (vertical), 2025

Como ler o gráfico

O eixo horizontal mostra policiais militares e civis por 100 mil habitantes, e o vertical, mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025; a linha é a tendência linear calculada sobre os 27 pontos. A inclinação levemente positiva e o coeficiente de correlação de 0,35 indicam relação fraca, e o resultado depende muito do Amapá: sem ele, o coeficiente cai para cerca de 0,10. O efetivo usa a população implícita no Anuário (mortes divididas pela taxa, vezes 100 mil), desconta os bombeiros de São Paulo e repete o dado de março de 2022 da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Pontos perto ou longe da linha descrevem uma associação; mostrar causa exigiria outro tipo de estudo.

Contexto

O gráfico de dispersão testa uma pergunta frequente no debate público: estados com mais policiais por habitante têm menos mortes violentas? Cada ponto é uma unidade da federação, com o efetivo de policiais militares e civis por 100 mil habitantes, do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026, e a taxa de mortes violentas intencionais de 2025, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A relação observada é fraca e positiva (coeficiente de correlação de 0,35), e a variação do efetivo está associada a cerca de 12% da variação das taxas de mortes entre os estados. Os extremos contrariam a intuição: o Amapá tem a maior presença policial por habitante e a maior taxa de mortes, e Santa Catarina tem o menor efetivo relativo e a menor taxa.

Uma correlação entre estados, medida em um único ano, não mostra o efeito de contratar mais policiais. O próprio Raio-X, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), lembra que a Organização das Nações Unidas (ONU) não define uma taxa ideal de policiais por habitante, considera metodologicamente frágil comparar essas taxas entre estados e defende dimensionar cada força pela carga de trabalho. Entre as explicações possíveis para o padrão, que este gráfico não testa, estão a contratação maior em estados que já eram violentos, o custo fixo alto por habitante em unidades da federação pequenas, como Amapá e Roraima, e diferenças na forma de atuação das polícias. Estudos que isolam o efeito do efetivo chegam a outra conclusão: Aaron Chalfin e Justin McCrary, com dados de cidades dos Estados Unidos, concluíram que aquelas cidades têm policiais de menos e que reforços reduzem crimes, com mais precisão nos crimes mais graves.

A discussão importa porque a ampliação do efetivo aparece com frequência em propostas de governo, e as polícias militares e civis são subordinadas aos governadores (art. 144 da Constituição) e, com exceção do Distrito Federal, mantidas pelos estados. Os dados de 2025 indicam que a quantidade de policiais, sozinha, explica pouco da diferença entre os estados. Isso reforça a recomendação do Raio-X de olhar também para a carga de trabalho, a investigação e a forma de atuação de cada força.

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026 e Raio-X 2026