Indicadores BR

Políticas públicas

Adesão ao governo na Câmara: Bolsonaro e Lula 3

Votos de cada partido que seguiram a orientação do governo no Plenário, em %, de 2019 a 2022 e de 2023 a 2026

Como ler a tabela

Cada linha é um partido, em ordem alfabética, depois da linha da Câmara inteira. As duas colunas mostram a porcentagem dos votos dos deputados do partido que seguiram a orientação do governo nas votações nominais do Plenário: a primeira no governo Bolsonaro (2019 a 2022, 1595 votações) e a segunda no governo Lula 3 (de 2023 até outubro de 2026, 871 votações). Entram só as votações em que o governo orientou Sim ou Não; abstenção e obstrução contam como não seguir, e o voto do presidente da sessão fica fora. O partido é o do deputado no dia do voto. Como a conta inclui votações de consenso, nenhum partido de oposição chega a zero. União Brasil e PRD nasceram de fusões, e a coluna do governo Bolsonaro soma as legendas que os formaram (DEM e PSL; PTB e Patriota). As bancadas mudaram com a eleição de 2022, por isso a mesma sigla pode ter deputados diferentes em cada coluna.

Contexto

A taxa de governismo mede com que frequência os deputados votaram como o governo pediu. Antes de cada votação nominal no Plenário, o líder do governo e os líderes partidários anunciam a orientação (votar sim, votar não ou liberar a bancada). O Indicadores BR calculou a taxa a partir dos arquivos anuais de dados abertos da Câmara, cruzando a orientação do governo com o voto de cada deputado, com a mesma regra para os dois governos. O código e o resultado por partido e ano estão publicados para conferência. Para 2023, a conta chega a valores até três pontos distantes dos publicados pelo Poder360 com o mesmo método (PT 97,2% aqui e 98% lá; PL 32,9% e 32%), e para 2019 a 2022 a média da Câmara (74,5%) fica perto dos 74% do Radar do Congresso.

Os dois governos tiveram maiorias formadas por partidos que não estavam na coligação eleitoral. No governo Bolsonaro, PP, Republicanos, PL, PSD e MDB seguiram a orientação do governo em 87% a 93% dos votos, e o PT em 24,8%. No governo Lula 3, PSD, Republicanos, MDB e PP ficaram entre 72% e 78%, e o PL em 31,0%. A média da Câmara foi de 74.5% no primeiro período e de 70.5% no segundo. A troca de cargos e recursos por apoio marcou os dois períodos: no governo Bolsonaro, partidos do chamado Centrão assumiram ministérios, entre eles a Casa Civil, entregue a Ciro Nogueira (PP) em 2021, e as emendas de relator, declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2022, pesaram na relação com o Congresso; no governo Lula 3, PP e Republicanos receberam ministérios em setembro de 2023. Quem defende esse modelo, chamado de presidencialismo de coalizão, argumenta que ele garante governabilidade num Congresso fragmentado; quem o critica aponta que o apoio passa a depender de cargos e verbas.

Para o cidadão, o indicador permite comparar o discurso de cada partido com o voto no painel, com a mesma régua para governos diferentes: um partido pode se declarar independente e votar com o governo na maior parte do tempo, ou o contrário. Para quem estuda para concurso, a taxa ajuda a avaliar as chances de propostas que mexem com o serviço público, como reajustes, criação de cargos e reforma administrativa, que dependem de maiorias de 257 ou 308 votos.

Fonte: Câmara dos Deputados, dados abertos; cálculo do Indicadores BR