Políticas públicas
Quantos entraram por concurso
Média anual de ingressos no Executivo federal civil, por governo
Como ler o gráfico
Cada coluna mostra a média de ingressos por concurso por ano no Executivo federal civil durante cada governo; a taxa de reposição indica quantos servidores entraram para cada 100 que se aposentaram, e 100% significa reposição integral. Até 2010, ingressos e aposentadorias vêm do Quadro 2 do Comunicado 110 do Ipea, com dados do Boletim Estatístico de Pessoal; a partir de 2011, do Painel Estatístico de Pessoal (PEP), consultado em 28/10/2026, com o filtro de tipo de ingresso em concurso. As duas séries vêm de publicações diferentes e não se comparam diretamente. O ano de 2016, dividido entre Dilma e Temer, fica fora das médias: Dilma cobre 2011 a 2015 e Temer, 2017 e 2018. Lula 3 é parcial: soma janeiro de 2023 a setembro de 2026 e divide por três anos e nove meses; a média muda até o fim do mandato, e a lei eleitoral restringe nomeações de julho de 2026 até a posse dos eleitos. O Painel incorpora registros atrasados a cada atualização, e os anos mais recentes costumam subir um pouco nas consultas seguintes.
Contexto
O gráfico mostra a média anual de servidores que entraram por concurso público no Executivo federal civil em cada governo, e a tabela acrescenta a taxa de reposição, que compara essas entradas com as aposentadorias do mesmo período. Os dados vêm do Boletim Estatístico de Pessoal, para os anos até 2010, consolidado em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), e do Painel Estatístico de Pessoal (PEP) a partir de 2011. Contam apenas os servidores efetivos, aprovados em concurso; as contratações temporárias por processo seletivo ficam de fora e superaram os ingressos efetivos em todos os anos de 2011 a 2022.
O ingresso depende de três etapas: autorização do concurso, previsão de vagas no Orçamento e nomeação dos aprovados dentro da validade do certame. Em ano de eleição, a Lei 9.504/1997 proíbe nomear servidores nos três meses anteriores ao pleito até a posse dos eleitos, com exceção de concursos homologados antes desse prazo. Com a ressalva de que as séries antes e depois de 2011 não se comparam diretamente, os governos Lula 1 e 2 e Dilma tiveram as maiores médias, e os governos FHC e Bolsonaro, as menores, com reposição de 38% e 53%; no período Bolsonaro, a Lei Complementar 173/2020 restringiu novas admissões até dezembro de 2021, durante a pandemia. No governo Lula 3, até setembro de 2026, a média ficou em 16.522 ingressos por ano, perto da de Temer, com reposição de 170%; a taxa alta reflete também a queda das aposentadorias, que passaram de 39.610 em 2019, ano da reforma da Previdência, para menos de 10 mil por ano em 2024 e 2025.
Quem defende mais concursos argumenta que a reposição evita a perda de conhecimento acumulado e a piora dos serviços, num momento em que o MGI projeta mais de 70 mil aposentadorias de 2026 a 2030. Quem defende contenção argumenta que a folha de pessoal pesa no Orçamento e que a tecnologia permite reorganizar o trabalho com menos gente. Para quem estuda para concurso, a média de ingressos e a taxa de reposição ajudam a dimensionar o volume de vagas que cada ciclo de governo costuma abrir.
Fonte: Boletim Estatístico de Pessoal, via Ipea; Painel Estatístico de Pessoal (MGI)