Economia
Inflação oficial ano a ano
IPCA acumulado em cada ano, de 1995 a 2025
Como ler o gráfico
Cada coluna mostra a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, acumulada de janeiro a dezembro de um ano, em porcentagem, de 1995 a 2025. Quanto mais alta a coluna, mais os preços subiram naquele ano; nenhum ano da série teve queda de preços no acumulado. O valor de 1995 ainda reflete a transição do Plano Real, que encerrou a hiperinflação no ano anterior, e por isso destoa do restante. O ano de 2026 ainda não aparece porque está em curso: até setembro, o acumulado em 12 meses foi de 4,58%, número que mede outro intervalo e pode mudar até dezembro. Como referência, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional mudou ao longo da série e hoje é de 3% ao ano, com tolerância até 4,5%.
Contexto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a medida oficial da inflação no Brasil e a referência para a meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional. Todo mês, o IBGE coleta preços de alimentos, aluguel, energia, transporte, saúde, educação e outros itens consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos que vivem em áreas urbanas das regiões cobertas pela pesquisa. Cada item pesa no índice conforme sua participação no orçamento dessas famílias, medida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares. Cada coluna do gráfico é a variação acumulada de janeiro a dezembro, ou seja, quanto os preços subiram em média ao longo daquele ano.
A série começa logo depois do Plano Real, lançado em julho de 1994: o IPCA tinha sido de 2.477% em 1993 e de 916% em 1994, caiu para 22,41% em 1995 e chegou a 1,65% em 1998. Depois da desvalorização do real em janeiro de 1999, o país adotou o regime de metas de inflação (Decreto 3.088, de junho de 1999), e desde então o Banco Central explica em carta aberta ao ministro da Fazenda cada vez que a meta é descumprida. Em 2002, o índice chegou a 12,53%, e o Banco Central apontou, em carta aberta, a forte desvalorização cambial do segundo semestre e a crise de confiança do período como fatores principais. Em 2015, segundo a carta aberta do Banco Central, os 10,67% vieram sobretudo do reajuste de preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, que subiram 18,07% (a maior alta desde 1999), e da alta de cerca de 47% do dólar. Em 2021, também segundo a carta aberta do Banco Central, os 10,06% vieram principalmente da alta do petróleo e de outras matérias-primas, da bandeira tarifária de escassez hídrica na conta de luz e dos gargalos nas cadeias de produção depois da pandemia.
Desde 2025 vale a meta contínua: 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, e a meta é considerada descumprida quando o acumulado em 12 meses fica fora desse intervalo por seis meses seguidos. Isso ocorreu em junho de 2025, com o índice em 5,35%; o Banco Central citou a inércia da inflação passada, expectativas acima da meta, atividade econômica aquecida e efeitos do câmbio, e elevou a taxa básica de juros (Selic) até 15% ao ano. Em setembro de 2026, o acumulado em 12 meses estava em 4,58%, pouco acima do teto de 4,5%, depois do fim do bônus de Itaipu que tinha reduzido as contas de luz em agosto. No dia a dia, a inflação define quanto o salário, a aposentadoria e as economias perdem de poder de compra, e o IPCA serve de referência para corrigir contratos e títulos do Tesouro.