Economia
Juros da dívida pública
Juros nominais do setor público consolidado, em % do PIB, por ano, de 2002 aos 12 meses até agosto de 2026
Como ler o gráfico
Cada coluna mostra os juros nominais do setor público consolidado (governo federal, Banco Central, INSS, estados, municípios e estatais) em percentual do Produto Interno Bruto (PIB) no ano. A coluna de 2026 é diferente das outras: soma os 12 meses de setembro de 2025 a agosto de 2026, último dado disponível. A tabela traz também o valor em reais correntes, sem correção pela inflação; para comparar anos distantes, use o percentual do PIB. Os juros são contados por competência, ou seja, entram quando são devidos, tenham sido pagos ou somados ao saldo da dívida, e já descontam os juros que o setor público recebe sobre seus ativos. A série usada exclui o efeito do câmbio sobre a dívida, que o Banco Central registra à parte. As faixas de governo localizam os anos e não atribuem causa.
Contexto
O indicador mostra quanto custa, a cada ano, carregar a dívida pública. O número sai das estatísticas fiscais do Banco Central, que medem as necessidades de financiamento do setor público e as separam em resultado primário e juros. Em 12 meses até agosto de 2026, os juros somaram R$ 1.182,2 bilhões, ou 8,9% do PIB.
O custo depende de dois fatores: o tamanho da dívida e a taxa que ela paga. Boa parte da dívida federal é corrigida pela Selic, a taxa básica definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e por isso o custo sobe e desce com ela; as operações compromissadas do próprio Banco Central, usadas para controlar a quantidade de reais em circulação, também entram na conta. Entre os anos fechados desde 2002, o maior peso foi em 2003 e em 2015 (8,4% do PIB), e o menor, em 2020 (4,1%), quando a Selic chegou a 2% ao ano; os 12 meses até agosto de 2026, com 8,9%, superam todos os anos fechados da série. A taxa implícita da dívida bruta, que é o custo médio dela, ficou em 13,0% ao ano em agosto de 2026, segundo a Consultoria de Orçamento da Câmara.
Quem defende juros mais altos argumenta que eles são o instrumento para trazer a inflação à meta e que só cairão de forma duradoura com contas públicas mais equilibradas. Quem critica o patamar atual argumenta que os juros respondem pela maior parte do déficit total do setor público e transferem recursos do Orçamento para os detentores de títulos. Para o cidadão, cada ponto do PIB pago em juros equivale a recursos que poderiam ir para outras áreas ou para reduzir a dívida.