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Economia

Selic e juro do crédito às empresas

Meta Selic e juro médio das operações de crédito com empresas, em dezembro de cada ano, em % ao ano, de 2010 a 2026

Como ler o gráfico

O gráfico tem duas linhas, ambas em percentual ao ano: a meta da Selic definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o juro médio das novas operações de crédito com empresas, sempre em dezembro de cada ano. O eixo horizontal vai de 2010 a 2026 e o vertical mostra a taxa. A linha das empresas começa em 2011 porque a série do Banco Central só existe a partir de março daquele ano. O ponto de 2026 é parcial: o juro das empresas é o de agosto e a Selic é a vigente desde 17 de setembro de 2026. O juro das empresas é uma média de todas as modalidades, com crédito livre e direcionado; só no crédito livre, a taxa média para empresas foi de 24,2% ao ano em agosto de 2026.

Contexto

A Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em oito reuniões por ano, com o objetivo de levar a inflação à meta. A outra linha mostra o juro médio que os bancos cobraram das empresas nos empréstimos novos de cada mês, ponderado pelo valor emprestado. Essa média reúne o crédito com recursos livres, de juros negociados entre banco e cliente, e o crédito direcionado, de regras e taxas definidas em lei ou em programas públicos, como as linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A série das empresas começa em março de 2011.

As duas linhas sobem e descem juntas, com o juro das empresas sempre bem acima da Selic. Quando o Copom subiu a Selic de 7,25% (outubro de 2012) para 14,25% (julho de 2015), o juro das empresas foi de 13,8% (dezembro de 2012) para 20,8% ao ano (dezembro de 2015). Com os cortes até 2% em agosto de 2020, durante a pandemia, ele caiu a 11,2%, o menor valor de dezembro na série. A alta da Selic para 13,75% entre março de 2021 e agosto de 2022, em resposta à inflação do pós-pandemia, levou o juro das empresas de volta a 20%. Depois de um ciclo de cortes até 10,5% em maio de 2024, o Copom voltou a subir a taxa a partir de setembro de 2024 e chegou a 15% em junho de 2025; em 2026, cortes a partir de março levaram a Selic a 13,75% em setembro, e o juro médio das empresas estava em 19,75% em agosto.

A distância entre as duas linhas é o spread, que paga o custo de captação dos bancos, as perdas com calote, impostos, despesas administrativas e a margem de lucro. Segundo o Banco Central, em 2025 o custo de captação respondeu por cerca de 40% do custo do crédito e a inadimplência por cerca de 22%. A leitura sobre o tamanho desse spread é disputada: os bancos e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apontam inadimplência, tributos e custos administrativos, enquanto o especialista em finanças públicas Murilo Viana, ouvido pelo InfoMoney, atribuiu o spread sobretudo à concentração do setor: em 2020, segundo estudo da Accenture para a Febraban, os cinco maiores bancos tinham 62% da carteira, sem contar o crédito imobiliário e o rural. Para quem tem empresa, a Selic define o custo do capital de giro e do investimento com alguns meses de defasagem, e esse custo acaba repassado a preços, salários e contratações.

Fonte: Banco Central, SGS 20715 e Copom