Segurança pública
Mortes violentas no Brasil
Mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, de 2012 a 2025
Como ler o gráfico
O eixo horizontal mostra os anos de 2012 a 2025, e o vertical, a taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes; o número absoluto de mortes aparece na tabela. As faixas ao fundo marcam os mandatos presidenciais só como referência de tempo: 2016 foi dividido entre dois presidentes, e as polícias que atuam sobre esses números respondem aos governadores. O valor de 2012 foi calculado de forma retroativa pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e os anos anteriores podem ser revisados a cada edição (o total de 2024 passou de 44.127, no Anuário 2025, para 44.220, no Anuário 2026). Coincidir no tempo com um governo não prova que ele causou a alta ou a queda.
Contexto
Morte violenta intencional (MVI) é o indicador que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) usa para medir quantas pessoas foram mortas de propósito no país em um ano. Ele soma as vítimas de homicídio doloso (incluídos os feminicídios), latrocínio (roubo seguido de morte), lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, em serviço e fora dele. Os números vêm dos registros das polícias e secretarias estaduais e são reunidos no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado todo mês de julho. Em 2025, o país registrou 40.775 mortes desse tipo, ou 19,1 por 100 mil habitantes, a menor taxa desde 2012, primeiro ano da série; o pico foi em 2017, com 64.079 mortes e taxa de 31,2. Cada ponto da taxa nacional corresponde hoje a pouco mais de 2,1 mil vidas por ano.
Pela Constituição (art. 144), as polícias militares e civis, que fazem o policiamento de rua e investigam a maior parte dos crimes contra a vida, são subordinadas aos governadores. À União cabem a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Penal Federal, a coordenação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado pela Lei 13.675/2018, e repasses de recursos aos estados. Por isso, a série nacional resulta sobretudo da soma de 27 trajetórias estaduais, que nem sempre andam juntas: em 2025, a taxa caiu em 20 unidades da federação e subiu em sete, entre elas Rio Grande do Norte, Rondônia e Rio de Janeiro. A proposta de emenda à Constituição da segurança pública (PEC 18/2025), que amplia o papel da União na área, foi aprovada pela Câmara em março de 2026 e seguia em análise no Senado em setembro de 2026.
Pesquisadores discutem várias explicações para a alta até 2017 e a queda desde 2018, sem consenso sobre o peso de cada uma. O Atlas da Violência 2020, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do FBSP, associa o pico à guerra entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho iniciada em meados de 2016, com efeito forte em estados do Norte e do Nordeste, e parte da queda seguinte a um armistício entre esses grupos. Robert Muggah, do Instituto Igarapé, descreve a queda como uma correção após o pico. O mesmo Atlas cita fatores de fundo, como o envelhecimento da população (menos homens jovens) e programas estaduais como o Pacto pela Vida, em Pernambuco, e o Fica Vivo, em Minas Gerais. Na economia, Dix-Carneiro, Soares e Ulyssea (2018) mostraram que perdas no mercado de trabalho elevaram os homicídios em regiões atingidas pela abertura comercial dos anos 1990. Há também um alerta sobre a qualidade dos dados: os registros de saúde tiveram saltos de mortes violentas de causa indeterminada em 2018, 2019 e 2024, e o Atlas da Violência 2026 estima 7.083 homicídios ocultos nessa categoria em 2024.