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Segurança pública

Mortes violentas e efetivo policial por estado

Taxa por 100 mil habitantes em 2025 e policiais militares e civis por 100 mil

Como ler a tabela

Cada linha é uma unidade da federação, ordenada da maior para a menor taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025, e a barra acompanha essa taxa. A coluna de policiais soma policiais militares e civis em atividade e divide pela população implícita no Anuário (mortes divididas pela taxa), o que pode gerar pequenas diferenças de arredondamento em relação ao Raio-X, que usa a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU). Em São Paulo, o efetivo da Polícia Militar vem somado ao dos bombeiros, e o portal subtraiu os 8.274 bombeiros militares registrados pela Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (ano-base 2024); no Rio de Janeiro, o efetivo da Polícia Militar é de março de 2022. Uma taxa alta de policiais ao lado de uma taxa alta de mortes não prova que uma coisa causa a outra.

Contexto

A tabela compara, para cada unidade da federação, a taxa de mortes violentas intencionais (MVI) de 2025 e o número de policiais militares e civis por 100 mil habitantes. A distância entre os extremos é grande: o Amapá registrou 42,5 mortes por 100 mil, mais de cinco vezes a taxa de Santa Catarina (7,6) e de São Paulo (7,8). As taxas mais altas se concentram no Norte e no Nordeste, com Amapá, Bahia, Ceará, Alagoas e Pernambuco no topo, e as mais baixas ficam no Sul, no Sudeste e no Distrito Federal. Em 2025, a taxa caiu em 20 unidades da federação e subiu em sete, entre elas Rio Grande do Norte, Rondônia e Rio de Janeiro.

As polícias contadas na tabela são estaduais. Pela Constituição (art. 144), as polícias militares, encarregadas do policiamento ostensivo, e as polícias civis, encarregadas da investigação, são subordinadas aos governadores, e o número de vagas de cada corporação é fixado em lei. No Distrito Federal, a União organiza e mantém as polícias (art. 21, XIV), e no Amapá e em Roraima parte do efetivo vem dos antigos territórios federais e é paga pela União, o que ajuda a explicar as taxas altas de policiais nessas três unidades. O efetivo vem do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com dados de março de 2025 obtidos junto aos estados. A Polícia Militar do Rio de Janeiro não enviou dados novos, e o estudo repete o número de março de 2022.

Pesquisadores apontam várias razões para a distância entre estados. O Atlas da Violência 2026, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do FBSP, cita diferenças de desenvolvimento econômico, de capacidade institucional, de dinâmica demográfica e de presença do crime organizado; o Anuário 2026 associa a violência em cidades do Nordeste a disputas entre facções por territórios cortados por rodovias importantes. Em alguns estados, a letalidade policial pesa no total: o Anuário registra que as mortes em intervenções policiais puxaram a taxa para cima no Rio de Janeiro e em Rondônia em 2025, e na Bahia o pesquisador Leonardo Silva, do FBSP, descreve o uso da força letal como prática normalizada em várias regiões. Para São Paulo, a pesquisadora Camila Nunes Dias, da Universidade Federal do ABC (UFABC), atribui parte da queda de longo prazo à hegemonia do Primeiro Comando da Capital (PCC), que reduz disputas armadas, enquanto o Atlas da Violência 2020 inclui o sistema de gestão policial Infocrim entre as políticas relevantes no estado.

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026 e Raio-X das Forças de Segurança 2026