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Economia

Sete números por período presidencial

Taxas por ano em cada período, de FHC 1 a Lula 3

Como ler a tabela

Cada linha da tabela é um período presidencial e cada coluna é um indicador expresso como média por ano dentro do período, em porcentagem, com exceção da última, que está em número de cestas básicas. Inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA), ganho real do mínimo e Selic usam datas mensais exatas de início e fim (Dilma 2: janeiro de 2015 a maio de 2016; Temer: junho de 2016 a dezembro de 2018; Lula 3: até setembro de 2026). PIB e desemprego usam anos completos e deixam 2016 de fora por ter sido dividido entre dois governos (Dilma 2 = 2015; Temer = 2017 e 2018; Lula 3 = 2023 a 2025). O desemprego de FHC 1 a Dilma 1 usa a série reconstruída por Bacciotti e Marçal, que é uma estimativa, e de 2012 em diante usa a PNAD Contínua. O juro real é a Selic acumulada (série 4390 do Banco Central) descontada a inflação do IPCA no mesmo intervalo. A coluna de cestas divide o salário mínimo vigente em dezembro do último ano completo de cada período pelo custo da cesta básica de São Paulo medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no mesmo mês: dezembro de 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2015, 2018, 2022 e 2025. Para Lula 3, a conta usa R$ 1.518 e a cesta de dezembro de 2025 (R$ 845,95), o que dá 1,79. O reajuste do mínimo de cada janeiro fica para o ano seguinte. Lula 3 está em curso, e seus números mudam a cada atualização.

Contexto

A tabela resume sete indicadores para cada período presidencial, do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995) ao terceiro de Lula (até setembro de 2026), sempre como média por ano para que mandatos de duração diferente fiquem comparáveis. A inflação é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE; o mínimo real é o ganho do salário mínimo descontado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC); o desemprego é a média das taxas anuais; o PIB é o crescimento real médio; a Selic é a taxa básica de juros acumulada, e o juro real é a Selic descontada a inflação. A última coluna divide o salário mínimo pelo custo da cesta básica de alimentos de São Paulo medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostrando quantas cestas um mínimo comprava.

Os números refletem decisões de governo e também condições fora do controle do Poder Executivo. O primeiro mandato de FHC teve juro real de 21,6% ao ano, em um período em que o câmbio servia de âncora para a estabilização do Plano Real; depois da desvalorização de 1999 e da adoção das metas de inflação, os juros caíram aos poucos. Os dois primeiros mandatos de Lula coincidiram com a alta dos preços internacionais das matérias-primas, que melhorou os termos de troca do país, segundo estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e a crise financeira de 2008 interrompeu o crescimento em 2009. O período Dilma 2 concentra a recessão de 2015, cujas causas são disputadas entre economistas (a página do PIB resume as explicações). O período Bolsonaro inclui a pandemia de 2020 e o choque mundial de preços de 2021 e 2022, e Lula 3 tem juros reais altos, que o Banco Central associou a expectativas de inflação acima da meta e atividade aquecida.

Por isso a tabela descreve o ambiente econômico de cada período, e qualquer avaliação de governo precisa levar em conta quem decide cada variável: juros são definidos pelo Banco Central, regras como a do salário mínimo passam pelo Congresso, e muitos efeitos aparecem com defasagem de um ou dois anos. Períodos curtos, como Dilma 2 e Temer, são mais sensíveis às datas de corte e a choques pontuais. Lida com essas ressalvas, ela ajuda a comparar o ambiente econômico que cada período enfrentou e o que mudou no bolso de quem vive de salário: inflação, emprego, poder de compra do mínimo e custo do crédito.

Fonte: IBGE, Banco Central, Dieese e Bacciotti e Marçal; cálculo próprio