Economia
Quanto a economia cresceu
Variação real do PIB em cada ano, de 1995 a 2025
Como ler o gráfico
Cada coluna mostra quanto a economia brasileira cresceu (acima de zero) ou encolheu (abaixo de zero) em relação ao ano anterior, em porcentagem, de 1995 a 2025. Os valores são a variação real do Produto Interno Bruto (PIB), já descontada a inflação, calculada pelo IBGE e reproduzida na série 7326 do Banco Central. Colunas negativas marcam anos em que o PIB caiu: 2009, 2015, 2016 e 2020. Os anos mais recentes ainda podem ser revistos pelo IBGE quando saem as contas anuais definitivas, o que costuma mudar o resultado em alguns décimos. O gráfico mostra o ritmo de crescimento de cada ano; o tamanho da economia e a renda por habitante dependem do acumulado de vários anos e do crescimento da população.
Contexto
O Produto Interno Bruto (PIB) soma o valor de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um ano e é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Sistema de Contas Nacionais, a partir de dezenas de pesquisas e registros administrativos. O gráfico mostra a variação real, isto é, o crescimento do volume produzido depois de descontada a alta de preços: uma coluna de 3% indica que a economia produziu 3% a mais que no ano anterior. O primeiro resultado de cada ano sai no início de março do ano seguinte e é revisto quando chegam as contas anuais completas, de modo que números antigos podem mudar. A queda de 2020, por exemplo, foi revista de 3,9% para 3,3% em 2022.
Nos anos 1990, o crescimento foi moderado e oscilou com crises externas; o PIB praticamente parou em 1998 e 1999, período das crises asiática e russa, da desvalorização do real e de juros altos, e Marcelo Neri, José Márcio Camargo e Maurício Reis, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacam a restrição externa do período. Entre 2004 e 2008, o país cresceu mais rápido, em um período de alta dos preços das matérias-primas exportadas, e a crise financeira internacional levou a uma leve queda em 2009 (0,13%), seguida da alta de 7,53% em 2010. A recessão de 2015 e 2016, com quedas de 3,55% e 3,28%, tem causas disputadas: Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a atribui a choques de oferta e demanda resultantes de erros de política econômica da chamada Nova Matriz Econômica; Pedro Rossi e Guilherme Mello (Unicamp) apontam o choque contracionista de 2015, com corte de gastos, reajuste de preços administrados, desvalorização cambial e juros a 14,25%; Luiz Fernando de Paula e Manoel Pires somam problemas de coordenação da política econômica a choques externos, como a piora dos termos de troca e a crise hídrica. Em 2020, a pandemia derrubou o PIB em 3,28%, e a economia se recuperou em 2021 (4,76%).
De 2022 a 2024, o crescimento ficou em torno de 3% ao ano, e em 2025 foi de 2,3%, com a agropecuária crescendo 11,7% graças às safras recordes de milho e soja. O ritmo do PIB importa porque a produção gera emprego, renda e arrecadação de impostos, que financia serviços públicos. Para saber se a vida média melhorou, também é preciso olhar o PIB por habitante, que desconta o crescimento da população: em 2025 ele subiu 1,9% e chegou a R$ 59.687,49 por pessoa.