Economia
O pico da inflação em 2021 e 2022
Maior inflação em 12 meses entre 2021 e 2022, no Brasil e em três economias ricas
Como ler o gráfico
Cada barra mostra o maior valor que a inflação acumulada em 12 meses atingiu em um país ou região durante a alta de preços de 2021 e 2022, em porcentagem, com o mês do pico entre parênteses. Os valores vêm dos índices oficiais de cada lugar: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE no Brasil, os índices de preços ao consumidor do Reino Unido e dos Estados Unidos e o índice harmonizado da zona do euro, que seguem métodos semelhantes com diferenças de detalhe. Os picos ocorreram em meses diferentes, de modo que as barras comparam a intensidade máxima de cada episódio, cada uma no seu mês. O resultado no fim do ano foi outro: em dezembro de 2022, o Brasil acumulava 5,79%, abaixo dos Estados Unidos (6,5%), da zona do euro (9,2%) e do Reino Unido (10,5%).
Contexto
O gráfico compara o ponto mais alto da inflação acumulada em 12 meses no Brasil, no Reino Unido, na zona do euro e nos Estados Unidos durante a onda inflacionária de 2021 e 2022. Cada lugar usa seu índice oficial: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE no Brasil, o índice de preços ao consumidor do Office for National Statistics (ONS, o instituto oficial de estatística britânico), o índice harmonizado de preços ao consumidor da Eurostat (agência de estatística da União Europeia) e o índice do Bureau of Labor Statistics (BLS, órgão de estatísticas do trabalho dos Estados Unidos). Os métodos têm diferenças de detalhe, por isso a comparação vale para a ordem de grandeza e o momento do pico. Nos Estados Unidos, o pico foi a maior alta em 12 meses desde novembro de 1981; no Reino Unido, a maior da série oficial do índice, iniciada em 1997. A seleção reúne as três economias ricas mais citadas no debate brasileiro da época e não inclui outros emergentes, como México e Chile.
Entre as causas comuns estão a reabertura depois da pandemia, com gargalos nas cadeias de produção, e a alta de energia e alimentos, agravada pela guerra na Ucrânia a partir de fevereiro de 2022: a energia subiu 41,5% em 12 meses na zona do euro até outubro e 41,6% nos Estados Unidos até junho. O Brasil chegou ao pico antes, em abril de 2022 (12,13%), porque a inflação começou a subir mais cedo; segundo o Banco Central, em 2021 pesaram a alta do petróleo e de outras matérias-primas, a bandeira tarifária de escassez hídrica e o reajuste de combustíveis. O Banco Central do Brasil também começou a subir juros antes: a taxa básica de juros (Selic) saiu de 2% em março de 2021 e chegou a 13,75% em agosto de 2022, enquanto o Banco Central Europeu fez sua primeira alta em 11 anos só em julho de 2022.
A queda brasileira no segundo semestre de 2022 também teve um componente tributário. Em março, o governo federal zerou os tributos federais PIS e Cofins (Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre diesel e gás de cozinha até o fim do ano (Lei Complementar 192), com renúncia de arrecadação; em junho, a Lei Complementar 194 classificou combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo como bens essenciais e limitou a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrada pelos estados, que contestaram a perda de arrecadação no Supremo Tribunal Federal. Com a queda dos combustíveis, o IPCA de julho de 2022 registrou deflação de 0,68%, a menor taxa mensal desde 1980. O Brasil terminou 2022 com 5,79%, abaixo dos Estados Unidos (6,5%), da zona do euro (9,2%) e do Reino Unido (10,5%). A comparação mostra que o choque de preços foi mundial e que o momento das respostas, de juros e de impostos, mudou o desenho da inflação em cada país.
Fonte: IBGE, Eurostat, ONS e BLS