Economia
Pedidos de recuperação judicial
Pedidos de recuperação judicial por ano, de 2012 a 2024
Como ler o gráfico
Cada barra mostra quantos pedidos de recuperação judicial a Serasa Experian registrou em um ano, de 2012 a 2024, pela contagem que a empresa usou até 2024. O eixo horizontal traz os anos e o vertical, o número de pedidos. O ano de 2025 fica fora do gráfico porque a Serasa mudou a metodologia: agora divulga separadamente os processos (977 em 2025) e as empresas incluídas neles (2.466), já que um único processo pode reunir várias empresas do mesmo grupo econômico. Por isso, os números novos não devem ser comparados com as barras. A Serasa avisa ainda que os dados mais recentes têm cerca de três meses de defasagem e podem ser revisados.
Contexto
A recuperação judicial é o pedido que uma empresa em crise faz à Justiça para suspender cobranças por um período e negociar com os credores um plano de pagamento, na tentativa de evitar a falência. O instrumento está previsto na Lei nº 11.101, de 2005, reformada pela Lei nº 14.112, de dezembro de 2020, que ampliou o parcelamento de dívidas tributárias, criou regras para novos financiamentos durante o processo e passou a permitir que os credores apresentem plano próprio. A Serasa Experian, empresa privada de informações de crédito, monta o indicador a partir de levantamento mensal em fóruns, varas de falências, diários oficiais e tribunais estaduais, e separa os pedidos pelo porte da empresa.
Os pedidos sobem quando a economia esfria e o crédito encarece. Em 2016, no auge da recessão, chegaram a 1.863, alta de 44,8% sobre 2015, e a Serasa citou queda na geração de caixa e crédito caro e escasso. Entre 2020 e 2022, os pedidos caíram até 833, em um período que começou com Selic baixa e programas de crédito da pandemia e em que, segundo a Serasa, cresceu o uso da renegociação direta com credores. Com a Selic de volta aos dois dígitos, os pedidos subiram para 1.405 em 2023 e para 2.273 em 2024, recorde da série e 22% acima de 2016; as micro e pequenas empresas responderam por 1.676 deles, e a economista da Serasa associou a alta a juros muito restritivos. Em 2025, a Serasa passou a contar separadamente processos e empresas: foram 977 processos, alta de 5,5%, envolvendo 2.466 empresas, alta de 13% e maior número da série, com a agropecuária na liderança, com 30,1% das empresas.
Um pedido de recuperação judicial afeta mais gente do que os sócios da empresa. Fornecedores passam a receber com desconto e prazo maior, empregados convivem com incerteza e bancos ficam mais seletivos para emprestar ao setor. A inadimplência costuma vir antes: em janeiro de 2026, a Serasa contava 8,7 milhões de empresas com dívidas em atraso registradas. Para quem tem negócio, acompanhar esse indicador ajuda a medir o risco de clientes e fornecedores atrasarem pagamentos.
Fonte: Serasa Experian, Indicador de Falências e Recuperações Judiciais