Economia
Renda média do trabalho
Rendimento médio mensal real de todos os trabalhos, em reais de 2025, de 2012 a 2025
Como ler o gráfico
A linha mostra o rendimento médio mensal habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas de 14 anos ou mais, de 2012 a 2025, em reais corrigidos pela inflação para valores médios de 2025. Cada ponto é a média do ano calculada pelo IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua, tabela 7441 do Sistema IBGE de Recuperação Automática, o Sidra), e a distância entre dois pontos indica ganho ou perda real de poder de compra. A série começa em 2012 porque a pesquisa não existia antes. A alta de 2020 pede cuidado: a média subiu porque quem ganhava menos perdeu o emprego primeiro e saiu da conta (efeito composição), sem que isso reflita aumento generalizado de salários. Valores trimestrais divulgados pela imprensa usam outra base de preços e não devem ser comparados diretamente com esta linha.
Contexto
O indicador mostra quanto uma pessoa ocupada de 14 anos ou mais recebe, em média, por mês somando todos os seus trabalhos, formais e informais, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE. Usa o rendimento habitual, isto é, o valor que a pessoa costuma receber em um mês normal, sem pagamentos eventuais. Os valores de todos os anos são corrigidos pela inflação e expressos em reais médios de 2025, o que permite comparar o poder de compra ao longo do tempo. Por se tratar de uma média, o número também se move quando muda o grupo de pessoas que está trabalhando, mesmo que os salários de cada um fiquem parados.
A renda subiu até 2014 (R$ 3.280), caiu na recessão de 2015 (R$ 3.151) e ficou praticamente estável até 2019. Em 2020, a média subiu para R$ 3.310 por efeito composição: cerca de 8 milhões de pessoas, em sua maioria informais e de menor renda, deixaram o mercado de trabalho, e o grupo que continuou ocupado tinha renda média mais alta; o economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), estimou que a mudança de perfil explicava quase toda a alta daquele momento. Em 2021 e 2022 o movimento se inverteu, com a volta de trabalhadores de menor renda e a inflação de 10,06% em 2021, e a média chegou ao menor valor da série em 2022 (R$ 3.032). De 2023 a 2025, a renda subiu três anos seguidos e atingiu R$ 3.560, o maior valor da série, em um período de desemprego em queda, inflação menor e reajustes do salário mínimo acima da inflação.
A renda do trabalho é a principal fonte de recursos da maioria das famílias e sustenta o consumo, que responde pela maior parte do PIB. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) registrou, até o início de 2026, treze trimestres seguidos de alta real acima de 3% em relação ao ano anterior, com ganhos maiores entre trabalhadores por conta própria e informais. A média, porém, esconde diferenças: no fim de 2025, o Ipea observou alta do índice de Gini da renda do trabalho, que mede a desigualdade, para 0,517 entre domicílios. O dado trimestral mais recente do IBGE, de junho a agosto de 2026, foi de R$ 3.777, alta de 3,7% sobre um ano antes, em uma base de preços diferente da usada nesta linha.